Enorme clichê. Chove lá fora. Estou bem. Não triste, saudável. Até com grana para acabar o mês, vejam só vocês. Bate um vazio. Uma vontade de chorar por alguém, olha só. Nem em paz ficamos tranquilos. Penas e fardos era o nome original desse tumblr, porque sei que a minha vida é assim, gosto de viver de penas, mas sinto sempre falta dos fardos, grandes responsabilidades, paixões que doem. Um mundo ao meu redor e meu coração só enxerga vazio. Não se permite ceder, pensar que alguém pode cuidar, aparecer. Apenas anda, anda, anda…
A iniciação. A luta por um dinheiro no fim do mês. Para quê? A faculdade, o estudo. Para quê? Às vezes uma vontade louca e doentia de escape se aproxima. E é horrível. Você acha que está longe de uma vida sem perspectiva. De uma vida de trabalho mecânico infinito. Ou que está longe da depressão. Da terrível vontade de não ter vontade de ter mais nada, além de apenas não ser mais nada. Mas tudo está lá, num canto, e desabrocha, floresce na solidão. Ou na multidão. E de repente já se é apenas uma sombra esperando ser varrido pelo vento.
Aqueles momentos de desconexão. Um cansaço de mim mesmo. Uma desesperança. O despertar daquele mecanismo romântico implantado em nosso cérebro. “Você precisa de alguém que te faça bem. E de mais ninguém. O que você tem é falta de um ‘amor de verdade’ Daqueles que prendem, que te façam sacrificar-se…“ Nah! Eu preciso é me achar!!! Falta companhia, falta Mas a mais importante é a minha!
Daí o tumblr vem ao seu email lembrar que faz cinco anos que você começou isso aqui. Onde viria passar as tardes tristes de estágio, as madrugadas de safadezas, as viagens para onde não podia ir.
É estranho o eu advogado, com 25 anos, olhar pra isso aqui. Minha segunda graduação me consome, minha casa nova me consome com a carne qu eu mesmo tenho de por na geladeira agora.
Esse modo mesmo de escrever, tentando romancear as frases num estilo chinfrim, já nem mais é o meu. Passo a timeline com saudades das conversas, das asks, das pessoas todas que eu conheci aqui. Do Ceará, do Espírito Santo, do Rio, de Curitiba, de Massachusetts… Continua sendo um canto tão agradável aqui. Essa fuga da adultice.
Ouvindo Tiê. Impossível não lembrar de você. Lembro do cheiro do mato daí. Da estrada, do pôr do Sol. De nós na praça, de onde exatamente te deixei na calçada, na hora do almoço. Tão bonito o que tínhamos. Já namorei e desnamorei, já andei. E tenho certeza que você já andou também. Mas não é como se nada tivesse existido… Não é como se eu não lembrasse de você usando sua temível pinça na minha barba, no sofá. Lembro dos beijos, dos abraços, do carinho, de tudo. E não, não quero voltar. Mas isso não me impede de sentir saudades, não é?
Novos olhos grandes cruzam meu caminho. Loucos, lindos, insanos Espreitam para fora de uma caverna escura de onde há muito não saiam.
E saíram acompanhados por um jovem par de olhos sua cria.
Ria, pulava se dava. Se permitia a sorrir onde podia. Aberta sobre a bissexualidade disfarçava a bipolaridade Escapando dos remédios entre garrafas de cerveja e dele entre blocos de carnaval.
Ele… Que suas raízes taurinas agarravam sem querer ficar e lutavam, sem querer deixar.
E sem saber o que quero da vida, Só fico eu encantado Com a voz, com o rosto Com o louco.
Não são de namoro não. Nem de tentativas. Poderiam ser, mas ainda não achei quem me permitisse me permitir ficar, amar à “moda antiga”. À moda antiga… Como se nas escolas de jovens da Grécia houvesse algum amor romântico entre jovens sedentos por orgias. Não, são meros 5 meses longe desse Tumblr. 4 meses do mais longo relacionamento tradicional que já tive na vida, temperado com um mês de dúvidas, incertezas e recuperação. Cá estou eu, voltando, largando tudo de doce que o conforto de dois únicos braços podem me dar, com a benção de pais, países e Igrejas, e me largando numa praça com uma garrafa de qualquer coisa… Qualquer lugar cheio de corações revolucionários, libertários, que tenha cheiro de liberdade e disposição para a luta!
Uma alegria suspensa parece pairar no ar. Já não posso nenhuma delas ajudar. Palavras inúteis, abraços fúteis. Apenas a esperança de que consigam lidar Com o que eu tempo já não pode arrumar.
De minha parte, mais espera. Um arrumar de coisas à mudar. Um sentar calado numa arquibancada fria Cheia de incertezas Que me fazem duvidar Da minha insegurança em amar Em gostar Em beijar
Sobre saudades, um texto que eu li hoje tem razão. Talvez seja um sentimento verdadeiro apenas sobre os mortos. Mortos numa cova, ou mortos daqueles que simplesmente não existem mais… Aquelas pessoas que mudaram tanto, que o seu corpo já não nos representa ninguém. Desses, dá pra sentir saudade. Mas dos outros? Que saudades tamanhas são essas, que não permitem um telefonema, um sacrifício que for? “Ah, que saudade suas!” Marque um almoço, venha tomar um café. Pegue um ônibus comigo, ao menos! Mas não. Diz apenas saudades, e não liga, não chama, não move um dedo. E estou falando de mim, sim. Eu sou o que diz “estou com saudades” e marco cinemas e comidas com a mesma dúzia de pessoas com quem sempre saio. Comodidade? Hipocrisia? De algumas é medo. Medo de saber que as coisas não serão como eram antes, de não querer ver o cadáver, e manter o teatro, conversar à distância com uma pessoa que já não existe mais. De outras é preguiça mesmo. Felicidade é, acho, a única coisa que podemos dar, sem ter. Tem gente que fica feliz com o meu “tenho saudade de você”. Isso a elas basta. Então ok. Distribuo pílulas de felicidade. Não me sinto culpado. Mas seu texto me ajudou, Cristiane. Não, eu não vou ver ninguém. Simplesmente vou parar de dizer que sinto saudades de algumas pessoas…